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Vocabulário de entrevista em inglês: as frases que me salvaram

por Yago Costa Ayala · 18 de julho de 2026
Para quem entende inglês mas trava na hora de montar frase em entrevista.4 min de leitura

Meu erro mais caro nas primeiras entrevistas: montar a frase em português na cabeça e traduzir ao vivo. O resultado era fala lenta, ordem de palavras estranha e branco no meio, porque tradução simultânea é difícil até pra quem é pago pra fazer isso. A correção não foi "pensar em inglês", que é conselho vago. Foi decorar blocos prontos. Frases inteiras, não palavras soltas.

Entrevista de dev é mais previsível do que parece. As mesmas palavras e as mesmas estruturas aparecem em quase todas. O que segue é a página mais usada do meu caderno.

As palavras que aparecem em toda entrevista

  • Walk me through...: "me explica passo a passo". Quando o entrevistador fala isso, ele quer narrativa com começo, meio e fim. "Walk me through your last project" é convite pra uns 90 segundos estruturados, não pra uma frase.
  • Tradeoff: o custo-benefício de uma decisão. A palavra favorita da entrevista técnica. "The tradeoff was higher latency for lower cost."
  • Edge case: caso extremo. Citar um sem que perguntem conta ponto: "One edge case I'd handle here is an empty list."
  • Approach: abordagem, como substantivo e como verbo. "My approach was to cache the results."
  • Constraint: restrição. "Given the time constraints, I went with the simpler solution."
  • Assumption, requirement, bottleneck: completam o kit mínimo.

Frases pra estruturar resposta

Blocos que abrem resposta e dão meio segundo de organização mental de graça:

  • "I'd approach it by...": serve pra qualquer pergunta de "como você faria".
  • "In my last project, we had a similar situation...": ponte da teoria pra sua experiência real.
  • "There are two ways I could do this. The first one...": sinaliza organização antes mesmo do conteúdo chegar.
  • "Correct me if I'm wrong, but my understanding is...": confirma entendimento sem parecer inseguro. Usei em quase toda conversa de system design.
  • "So, to summarize my point...": resgata resposta que começou a se perder.

Na entrevista comportamental, esses blocos encaixam direto na estrutura de história. Mostrei como em método STAR.

Frases-muleta pra quando dá branco

O branco vai acontecer. Comigo aconteceu dezenas de vezes depois de eu já me considerar "pronto". A diferença entre branco que elimina e branco que passa despercebido é ter muleta decorada:

  • "That's a good question — let me think for a second.": pausa legítima. Silêncio anunciado é pensamento; silêncio sem aviso é travada.
  • "Just to make sure I understood: you're asking about...?": devolve a pergunta e compra dez segundos.
  • "I don't remember the exact term, but the idea is...": esqueceu a palavra? Explica o conceito. Demonstra entendimento real, que vale mais que o termo.
  • "Let me rephrase that.": a frase saiu quebrada? Recomeça, sem pedir desculpa três vezes.
  • "What I mean is...": mesma função, no meio da frase.

A muleta que mais me salvou foi a do termo esquecido. Uma vez o "linked list" sumiu da minha cabeça: o conceito estava lá, a palavra não. Descrevi: "a structure where each node points to the next one". O entrevistador completou a palavra por mim e a conversa seguiu. Em live coding isso acontece em dobro, porque a pressão come o vocabulário primeiro. Escrevi sobre isso em como não travar no live coding.

Como decorar sem soar robô

Decorar bloco não é decorar resposta. Resposta decorada soa morta e desmonta no primeiro follow-up. Bloco decorado é andaime: a abertura e as conexões vêm prontas, o conteúdo é seu, montado na hora.

O que funcionou pra mim:

  • Repetição espaçada. Frase nova, revisada em intervalos crescentes, até sair sem esforço.
  • Voz alta, sempre. Ler com os olhos não coloca frase na boca.
  • Usar em simulado até a frase aparecer sozinha. O teste de aprovação é ela sair sem você decidir usar.

Uma observação: os dois minutos de conversa antes da entrevista têm outro vocabulário, mais social que técnico, e me apavoravam mais que a parte técnica. Tratei deles em small talk com gringos.

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Sugestão prática de quem fez: imprima a lista, cole do lado do monitor, use uma frase nova por dia em voz alta. Em um mês, o andaime está de pé.