Eu fiz mais de 100 entrevistas em inglês em 6 meses. Levei "não" em todas as etapas possíveis antes de assinar com uma empresa americana em junho de 2026. Se você quer se preparar pra entrevista em inglês como dev, esse post é o resumo do que aprendi errando: as 5 etapas do processo, o que cada uma testa de verdade e como treinar cada uma.
Uma coisa antes. O processo gringo é padronizado. Muda o nome da etapa, muda a ordem às vezes, mas a estrutura se repete de startup a big tech. Isso é ótimo pra você. Coisa previsível se treina.
As 5 etapas da entrevista em inglês para dev
1. Triagem com recruiter (20 a 30 min). Testa comunicação e fit básico: quem você é, sua stack, por que está buscando, expectativa salarial, disponibilidade de fuso. Não é técnica, mas elimina muita gente. Inglês travado morre aqui.
2. Tela técnica com código (45 a 60 min). LeetCode ao vivo, em plataforma tipo CoderPad ou HackerRank. Testa se você resolve problema pensando em voz alta, não se decorou soluções. Um medium bem resolvido vale mais que dois resolvidos em silêncio.
3. Deep-dive técnico (60 min). Perguntas profundas sobre a sua stack: event loop, closures, promises, índice de banco, N+1, cache. Testa se a sua experiência é real. Quem só usou framework sem entender o que roda por baixo é exposto aqui.
4. System design (45 a 60 min). "Desenha um encurtador de URL." "Como você escalaria esse endpoint?" Pra pleno, testa raciocínio e trade-offs, não perfeição. O "porquê" das escolhas importa mais que a arquitetura final.
5. Comportamental (45 min). Conflito com colega, prazo estourado, erro em produção. Testa como você trabalha em time. Empresa americana leva isso muito mais a sério que a média brasileira. Reprova tanto quanto a técnica.
Os erros que eu mais repeti (e anotei)
Depois de cada entrevista eu abria o caderno e anotava onde tinha travado. Os campeões de reincidência:
- Enrolar em pergunta de fundamento. A pergunta de closure que eu "sabia" mas não consegui explicar em inglês em 30 segundos. Saber e saber explicar são habilidades diferentes.
- Não reconhecer o padrão do problema. O problema de grafo que eu nem vi que era grafo. Fiquei 40 minutos em força bruta.
- Responder salário primeiro e baixo. Me ancorei numa faixa convertida do real. A faixa veio em cima. Erro caro.
- Pitch decorado que desmonta no follow-up. Meu "tell me about yourself" era ótimo até a primeira pergunta fora do script.
- Resolver em silêncio. Eu pensava, achava a solução e só então falava. Pro entrevistador, silêncio é ausência de raciocínio.
Cada um desses virou flashcard, questão ou treino específico. Foi assim que os "não" viraram método.
Como se preparar para entrevista internacional
Treina cada etapa como uma habilidade separada, porque é isso que elas são.
Pra triagem: escreve seu pitch de 90 segundos em inglês e grava você falando. Ouve. Regrava até parar de doer. Prepara resposta de salário antes (em dólar, com faixa pesquisada) e respostas pras perguntas que sempre caem: why are you leaving, why this company, salary expectations, notice period, timezone.
Pra tela técnica: resolve problema em voz alta, em inglês, com timer. Não existe outro jeito. Padrão e constância valem mais que dificuldade. Escrevi o método exato em NeetCode 150: por onde começar.
Pro deep-dive: revisa fundamento com recall ativo, não releitura. Flashcard de event loop, closure, promise, transação, índice. Se você não consegue explicar em voz alta em inglês, pra fins de entrevista você ainda não sabe.
Pro system design: treina desenhando e falando, 30 minutos por problema. Aprende o vocabulário em inglês (load balancer, queue, cache hit, sharding), porque travar no termo te faz parecer não saber o conceito.
Pro comportamental: monta um banco de 6 a 8 histórias reais no formato situação, tarefa, ação e resultado. Escreve em inglês. Ensaia em voz alta. Na entrevista você adapta uma história pronta, não inventa uma na hora.
Quantas entrevistas até passar
Não sei. No meu caso foram mais de 100, dentro de um funil de quase 10 mil currículos (o caminho completo está aqui). O que eu sei: minha taxa de avanço melhorou visivelmente quando comecei a tratar cada entrevista como treino que gera dado, e não como prova final.
Você vai reprovar. A pergunta é se a reprovação de hoje vira o acerto da semana que vem ou só frustração. O caderno decide isso.
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